CONECTE-SE ÀS NOTÍCIAS
QUE MOVEM MARCAS E NEGÓCIOS

Aqui você encontra notícias, movimentos e tendências que moldam o mercado brasileiro.

Atualizamos constantemente nossos leitores com conteúdos sobre marcas, negócios e comunicação, acompanhando ações e estratégias que movimentam o cenário corporativo nacional.

Reconstrução do RS pode abrir novo ciclo de investimentos no agronegócio

Irrigação, armazenagem, logística, tecnologia e industrialização ganham relevância diante dos desafios climáticos, dos custos elevados e da necessidade de aumentar a produtividade

A reconstrução do Rio Grande do Sul pode representar mais do que a recuperação das estruturas e atividades afetadas pelos eventos climáticos dos últimos anos. O processo também coloca em evidência uma nova agenda de investimentos capaz de tornar a economia gaúcha mais produtiva, competitiva e resiliente. A avaliação é do gerente de Projetos Econômicos da Russell Bedford Brasil, Elvis A. dos Santos, durante a Expointer 2026, realizada no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS).

“O Rio Grande do Sul não precisa apenas reconstruir o que perdeu; tem a oportunidade de reconstruir melhor, com mais produtividade, tecnologia, infraestrutura e resiliência. O desafio é direcionar os investimentos para áreas que não apenas recuperem a capacidade produtiva, mas que também reduzam vulnerabilidades e aumentem a competitividade da economia gaúcha”, afirma Santos.

No agronegócio, essa discussão ganha dimensão ainda maior pelo peso do setor na economia estadual. Somente no primeiro semestre de 2026, as exportações do agronegócio gaúcho alcançaram US$ 7 bilhões e responderam por cerca de 71% de todas as vendas externas do Rio Grande do Sul. Ao mesmo tempo, estimativas para importantes culturas apontam recuperação da produção em relação ao ano anterior, especialmente na soja e no milho.

Nesse contexto, investimentos em irrigação, armazenagem, agricultura de precisão, energia, infraestrutura logística, tecnologia e industrialização tendem a ganhar espaço nas decisões de produtores e empresas.

Produtividade passa a dividir espaço com gestão de riscos

Apesar dos sinais de recuperação da produção agrícola, produtores e empresas continuam tomando decisões em um ambiente que exige cautela. Custos elevados, necessidade de capital de giro, riscos climáticos e investimentos de longo prazo tornam a eficiência econômica cada vez mais relevante.

Para Santos, o próximo ciclo de crescimento do agronegócio gaúcho não deverá depender apenas da ampliação da produção.

“Produzir mais continua sendo importante, mas produzir melhor passa a ser decisivo. Isso significa aumentar produtividade, reduzir perdas, utilizar melhor os recursos disponíveis e diminuir a exposição a riscos que podem comprometer vários anos de investimento”, explica.

A irrigação é um dos exemplos dessa mudança. Dados da Secretaria da Agricultura do Estado mostram que, na safra 2023/24, aproximadamente 3,2% da área cultivada com soja e 15% da área de milho em grão contavam com irrigação. Apesar do avanço observado nos últimos anos, os números indicam um espaço significativo para ampliação da segurança hídrica em culturas de sequeiro.

“Se antes um investimento em irrigação poderia ser avaliado principalmente pela perspectiva de aumento de produtividade, os eventos climáticos recentes acrescentaram outra variável à equação: a necessidade de reduzir a exposição da produção à irregularidade climática. A irrigação passa a ter também uma função de gestão de riscos e de estabilidade econômica da propriedade”, destaca.

Segundo Santos, a mesma lógica se aplica a instrumentos como seguro, reservação de água, diversificação da produção e investimentos em infraestrutura.

Armazenagem também pode melhorar resultado econômico

A armazenagem aparece como outro gargalo com potencial para movimentar investimentos. A ampliação da capacidade e a modernização das estruturas podem reduzir perdas, melhorar a gestão da produção e oferecer ao produtor maior flexibilidade na escolha do momento de comercialização.

“Quando existe capacidade de armazenagem, o produtor ganha uma variável adicional na sua estratégia comercial. Ele reduz a necessidade de vender toda a produção justamente nos períodos de maior oferta e pode administrar melhor estoque, preço e fluxo de caixa”, explica Santos.

No campo, agricultura de precisão, sensores, equipamentos conectados e ferramentas de análise de dados seguem a mesma lógica: produzir com maior eficiência e controlar melhor os custos.

Oportunidades vão além da porteira

As oportunidades, porém, não se restringem à produção rural. Para Santos, um dos movimentos capazes de ampliar o impacto econômico do agronegócio no Estado está na agregação de valor às cadeias produtivas.

“O Rio Grande do Sul já possui uma base agrícola extremamente relevante. O próximo passo não é apenas ampliar o volume produzido, mas capturar uma parcela maior do valor gerado pelas cadeias produtivas dentro do próprio Estado”, afirma.

A industrialização de alimentos e matérias-primas, o processamento da produção, a geração de energia, a bioeconomia e o desenvolvimento de novos produtos podem ampliar o valor adicionado localmente, gerar empregos e criar conexões entre agro, indústria e serviços.

O peso do setor nas exportações evidencia esse potencial. No segundo trimestre de 2026, somente o complexo soja respondeu por aproximadamente US$ 1,5 bilhão das exportações do agronegócio gaúcho, seguido pelas carnes, com US$ 771 milhões.

“Quanto mais etapas da cadeia produtiva conseguirmos desenvolver no Estado, maior será a capacidade de transformar produção agrícola em renda, investimentos, empregos e arrecadação”, avalia Santos.

Infraestrutura como vetor de competitividade

A infraestrutura também deverá ocupar posição central nessa nova agenda de investimentos. Rodovias, ferrovias, energia, armazenagem, saneamento e infraestrutura logística influenciam diretamente os custos das cadeias produtivas.

“Para um Estado que movimenta grandes volumes de produção, gargalos logísticos acabam se transformando em custos que chegam ao produtor e reduzem a competitividade das empresas. Por isso, modernizar a infraestrutura pode funcionar como indutor de novos investimentos privados e não apenas como uma necessidade decorrente da reconstrução”, explica.

Na avaliação do economista, investimentos públicos, concessões, parcerias com o setor privado e novos instrumentos de financiamento podem desempenhar papel relevante para viabilizar projetos de maior escala.

Tecnologia pode gerar crescimento mesmo com restrição de capital

Outro eixo destacado por Santos é a transformação digital. Inteligência artificial, automação e análise de dados já podem ser incorporadas tanto aos processos produtivos quanto à gestão das empresas.

As aplicações vão desde previsões de produção e monitoramento de lavouras até gestão de estoques, manutenção de equipamentos, planejamento financeiro e análise de custos.

“Em um cenário de custo do capital ainda elevado, encontrar ganhos de eficiência pode ser uma das formas de viabilizar crescimento sem depender exclusivamente de maior endividamento ou de uma expansão proporcional dos custos”, afirma.

Para Santos, produtividade, gestão de riscos e agregação de valor devem formar a base de uma nova etapa da economia gaúcha.

“A reconstrução pode ser uma oportunidade para corrigir gargalos históricos e preparar o Rio Grande do Sul para os próximos ciclos econômicos. Os melhores investimentos serão aqueles capazes de combinar produtividade, redução de riscos, infraestrutura e geração de valor. Mais do que reconstruir, a oportunidade é tornar a economia gaúcha mais preparada para crescer de forma sustentável e resiliente”, conclui.

Sobre Elvis A. dos Santos

Mestre em Desenvolvimento Econômico pela PUCRS, MBA em Digital Business pela ESALQ-USP e Bacharel em Ciências Econômicas pela Unilasalle. Na Russell Bedford Brasil atua principalmente em estudos de viabilidade, análise de investimentos e projetos relacionados à infraestrutura, concessões e desenvolvimento regional.

Sobre a Russell Bedford Brasil

A Russell Bedford Brasil estrutura sua atuação conectando diferentes expertises técnicas para apoiar o desenvolvimento de empresas, serviços públicos e organizações em decisões que envolvem crescimento, riscos, investimentos e transformação. Disponibiliza mais de 50 soluções em seu portfólio, consolidando sua marca nos últimos 17 anos em território nacional. A oferta ampla tem o respaldo no fato de a empresa integrar uma rede global, fundada na Inglaterra em 1983 e, atualmente, presente em mais de 110 países.

Já realizou o atendimento de mais de 10 mil projetos no Brasil por meio da sua estrutura multidisciplinar, técnica e sustentável para os seus clientes. Suas áreas de expertis contemplam auditoria, economia, tributação, governança, compliance, ESG, tecnologia, M&A, concessões, infraestrutura e internacionalização, entre outras frentes.

Para o suporte a empresas, serviços públicos e organizações conta com escritórios estratégicos no Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo. A sede no território nacional está localizada em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

Foto: Divulgação

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja mais

Russell Bedford detalha a logística por trás do Teste de Integridade das urnas eletrônicas

ODB Comunicação

29 de setembro de 2026

Mercado e Serviços

Russell Bedford detalha a logística por trás do Teste de Integridade das urnas eletrônicas

Uma urna eletrônica pode percorrer centenas de quilômetros antes de participar de uma auditoria eleitoral. No Rio Grande do Sul, por exemplo, equipamentos selecionados em diferentes municípios já foram transportados para Porto Alegre, onde a votação feita em cédulas de papel é reproduzida na urna e os resultados são posteriormente confrontados. A Russell Bedford Brasil já participou desse trabalho em sete eleições e conhece de perto a estrutura necessária para colocar a operação em funcionamento.
Vila da Mônica Gramado aposta na gastronomia como parte da experiência do parque

ODB Comunicação

28 de setembro de 2026

Parques e Atrações

Vila da Mônica Gramado aposta na gastronomia como parte da experiência do parque

A gastronomia da Vila da Mônica Gramado, na Serra Gaúcha, passa por uma reformulação que reúne novos cardápios, produção diária e dois profissionais com trajetórias singulares na cozinha. No “Restaurante da Vila”, o chef Fábio Hyppolito assina uma proposta contemporânea de inspiração fusion, construída a partir de referências de diferentes culturas gastronômicas. Já no “Empório Nhô Lau”, o chef Ricardo Campos leva para as sobremesas sua formação em confeitaria européia e mais de duas décadas de atuação no segmento.